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Como lidar com o stress quando se tem diabetes

Todos podem ficar stressados. Todos podem sentir ansiedade. E todos podem ter momentos de preocupação e pânico. No entanto, se tem diabetes tipo 2, esses episódios podem desafiá-lo de formas que são ligeiramente diferentes da forma como desafiam os outros. Mas, como acontece com tudo o resto, é possível encontrar mecanismos e estratégias que funcionem para si. 

Aqui, apresentamos 5 dicas para o acompanhar de forma segura durante os momentos stressantes e ansiosos da vida – para o ajudar a sentir-se mais tranquilo, confiante e feliz no seu dia a dia com diabetes.

Cuidado com as palavras “tem” e “deve”

Se for recentemente diagnosticado, é perfeitamente normal sentir-se stressado pelos novos desafios. Poderá estar nervoso sobre o modo como a diabetes pode impactar a sua qualidade de vida, a sua segurança, os seus sonhos, compromissos e pessoas à sua volta.

Num esforço para o acompanhar e apoiar, muitas pessoas - incluindo profissionais de saúde, amigos e familiares – podem dar dicas sobre a dieta, estilo de vida, exercício físico e muito mais. Os conselhos podem ser úteis, mas também podem ter o efeito não intencional de criar stress.

A sua melhor defesa contra este tipo de stress é compreender o que se passa. Se alguma vez já tentou aconselhar alguém, sabe que pode ser muito difícil não utilizar palavras como “deve”, “não” e “tem”. E enquanto pessoa com diabetes, provavelmente já ouviu alguns destes:

Deve fazer exercício regularmente.

Não coma mais do que uma fatia de bolo.

• As pessoas com diabetes têm de dizer adeus ao açúcar.

Se forem mal interpretadas, estas palavras podem desgastar em vez de ajudar. Seria bom aprender a filtrar o que é útil do que parece ser algo imposto e que causa stress.

Alimentos

“Dizer as palavras deve e tem – mesmo internamente – contribuirá para esse stress. Quando estiver calmo e descontraído, está em controlo do seu próprio corpo.”

-Ken Tait vive com diabetes tipo 2

Eis um exemplo: Podem-lhe ter dito que deve deixar de comer bolachas. Se for interpretado literalmente, isto não deixa espaço para que seja VOCÊ mesmo - a pessoa que gosta muito de bolachas. O que pode retirar de tal conselho é que existem bons motivos pelos quais as bolachas devem ser desfrutadas de forma sensata e talvez apenas em ocasiões especiais.

À medida que se torna melhor a aprender com conselhos, também vai ser mais fácil quando - ocasionalmente e com bom senso - opta por ignorá-los.

Os conselhos destinam-se a orientar e a apoiá-lo, não puni-lo. Receba-os como uma ferramenta e não uma arma. E não seja duro consigo mesmo se a diabetes o confrontar de um modo que não esteja preparado.

Use a respiração para assumir o controlo

Um problema médico pode ser avassalador até encontrar os mecanismos de resposta corretos. As dúvidas e perguntas podem encher a sua cabeça. “O que se passa?” “O que é que o meu corpo está a fazer?” “Como me sentirei se comer isto?” Estas perguntas podem criar a experiência do stress, que pode manifestar-se em vários sintomas:

• Dores de cabeça

• Perturbações de sono – ou demasiado sono

• Músculos tensos e dolorosos

• Exaustão

• Sentir-se doente ou fraco

Se tiver um ou alguns destes sintomas, é provável que também se sinta irritável, desmotivado, deprimido ou nervoso.

Alimentos

“Quando está calmo e descontraído, controla o seu próprio corpo.”

-Ken Tait vive com diabetes tipo 2

Uma excelente forma de neutralizar o que pode parecer uma espiral descendente são os exercícios de mindfulness ou de respiração (ou ambos!). Muitos estudos mostram que, ao respirar corretamente, pode reduzir o stress, prevenir a insónia, controlar as emoções e ajudar a melhorar a atenção. Ioga, meditação ou exercício podem ter efeitos semelhantes.

A respiração pode ser usada para regular as emoções e melhorar o bem-estar de várias formas. Algumas técnicas enfatizam as perspetivas de consciencialização sobre a experiência, enquanto outras consideram o lado físico.

Como escolher o que funciona? Lembre-se que não há duas pessoas nem duas doenças iguais. Isto significa que terá de fazer alguma pesquisa e experimentar técnicas de respiração ou meditação diferentes para encontrar a que prefere.

E como em tudo, a prática é fundamental. Por isso, use o que funciona para si e é provável que se sinta cada vez mais relaxado e em controlo do seu corpo e da sua mente.

Há outra razão importante que explica porque a gestão do stress beneficia as pessoas que vivem com diabetes e está relacionada com os níveis de glicose no sangue. Quando o corpo entra em stress, está a preparar-se para manifestar uma resposta drástica ao ambiente – normalmente conhecida como resposta de "luta ou fuga".

Quando a resposta fuga ou luta é ativada, algumas reações acontecem no organismo:

• A respiração acelera.

• O sangue é enviado aos músculos e membros.

• Os níveis hormonais sobem.

Como resultado de stress agudo, são libertados para a corrente sanguínea adrenalina, cortisol e  glicose. Se tem diabetes, o seu corpo poderá não conseguir transformar a glicose libertada na energia necessária para este seu estado de luta ou fuga. Isto faz com que se acumule na corrente sanguínea – como poderá confirmar se verificar o seu nível de açúcar com um medidor da glicemia.

Em situações de stress, experimente exercícios de respiração. Controlar a sua reação ao stress pode ajudá-lo a gerir os seus níveis de açúcar no sangue, o que é algo que lhe será muito útil a longo prazo.

Alimentos

“Os snacks são coisas de que não precisamos na verdade, apesar de sentirmos que sim.”

-Ken Tait vive com diabetes tipo 2

Coma para o seu corpo – não para a sua ansiedade

A comida estimula-nos e faz-nos sentir bem. É por isso que os alimentos são utilizados para mais do que simplesmente saciar a fome. Muitas pessoas estão familiarizadas com a utilização de alimentos como forma de alcançar o conforto ou lidar com emoções difíceis.

Para aqueles que vivem com diabetes, a incerteza sobre a dieta pode causar ansiedade e stress. Ironicamente, os alimentos podem proporcionar alívio temporário do stress alimentar. Mas a palavra-chave aqui é “temporário”.

Muitas pessoas reconhecem o prazer do chocolate, e com boas razões. Estudos demonstraram que alguns tipos de chocolate podem reduzir os níveis de cortisol libertado pelo stress e diminuir os sintomas de ansiedade. Mas, quando começa a comer para  aliviar o stress, está a trocar equilíbrio metabólico e controlo a longo prazo pelo alívio temporário, de curto prazo. Comer devido ao stress é compreensível, claro, mas mantenha-se atento à sua tendência para aliviar o stress através da alimentação. Não acrescente uma relação de vício com a alimentação aos desafios de viver com diabetes.

Mulher

“Coisas como o chocolate fazem com que se sinta bem – durante um nano segundo. E depois comemos mais. E depois comemos mais. E depois comemos mais.”

-Ken Tait vive com diabetes tipo 2

Se “tiver um deslize” e der por si a desfrutar de comida que NÃO faz parte do seu plano alimentar, pergunte-se se consegue parar antes de chegar ao fundo do pacote ou tigela. Aprenda a parar quando quer, porque NÃO parar corresponde a uma perda de controlo, o que compromete a sua saúde e aumenta o risco de hiperglicemia.

Descontraia o seu corpo para injeções mais fáceis

Quando se trata de injetar medicamentos no seu corpo, a sua resposta natural pode ser náuseas ou medo (da dor ou lesão). Afinal as agulhas perfuram a pele e podem fazer com que sangre. Mas o seu medo da dor é muitas vezes superior à dor real associada às injeções. A sua mente está a pregar-lhe uma partida.

Porque estamos a falar novamente sobre um desafio mental – ou seja, um assunto que depende da perspetiva e estado de espírito – a melhor forma de ultrapassar o desafio é psicológica.

Tal como acontece com as situações de stress e preocupação mencionadas anteriormente, tente usar a respiração quando está perturbado. Quando estiver habituado, conseguirá expirar qualquer negatividade. Como resultado, irá sentir os músculos descontraídos, maior controlo sobre as suas emoções e menor dor.

Quando está mentalmente estável, confiante e calmo, irá sentir-se muito melhor preparado para o desafio de administrar o medicamento no seu corpo através de uma caneta ou agulha.

Mulher

“Temos que deixar de pensar que vai doer. Relaxe os músculos. É tão simples quanto isso.”

-Ken Tait vive com diabetes tipo 2

Fale com outras pessoas com diabetes

As pessoas que vivem com diabetes estão por sua conta a maior parte do tempo. O acesso a apoio e a aconselhamento dos profissionais de saúde pode ser limitado, o que pode criar sentimentos de frustração ou de desamparo. Uma doença como a diabetes tipo 2 deve ser vivida com apoio e orientação, uma vez que, até encontrar estratégias que funcionem para si,  a doença pode ter um impacto importante na sua vida social.

Seja ativo e contacte a sua comunidade. Entre 1980 e 2016, a prevalência global de diabetes aumentou quase 100%. Por outras palavras, é cada vez mais provável encontrar outras pessoas com diabetes perto de si. E criar laços e amizade com estas pessoas tem o bónus adicional de aliviar o stress, a ansiedade, a depressão e a solidão.

Mulher

"Eu precisava desse apoio. E tenho a certeza de que outras pessoas também.”

-Ken Tait vive com diabetes tipo 2

Encontre o seu propósito através da diabetes

Quando se é diagnosticado com diabetes, a tentação pode ser focarmo-nos nos obstáculos e naquilo que nos é retirado. É natural achar que algo negativo e injusto lhe aconteceu e que é vítima das circunstâncias. Mas, e se tentasse olhar para as coisas que a diabetes torna possíveis?

Legumes

“Dá-me uma enorme satisfação saber que ajudei alguém a viver a sua vida em vez de se deixar controlar pelas circunstâncias.”

-Ken Tait vive com diabetes tipo 2

A diabetes é o seu corpo a tentar dizer-lhe para cuidar de si de uma nova forma – o que é completamente possível fazer, especialmente depois de aprender algumas dicas e truques sobre alimentação e exercício. Esta aprendizagem pode ajudá-lo a ter um renovado respeito por si próprio.

Pode até tornar-se alguém a quem as pessoas com diabetes podem recorrer para obter orientação, companheirismo e amizade. Quando isso acontece, é fácil ver que um diagnóstico indesejado pode tornar-se numa fonte de propósito, num convite ao significado e uma oportunidade de se ser fantástico.

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